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ENTREVISTA EXCLUSIVA COM ASTRONAUTA PINGUIM
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2 de junho de 2009



Pinguim fala sobre carreira solo, influências, bandas independentes e muito mais.





Astronauta Pinguim é um renomado musico (destacando se nos teclados), que alem de tocar com Júpiter Maçã e muitos outros artistas também de força na cena rock nacional é produtor e dirigiu alguns shows entre eles o de Elba Ramalho e Maria Alcina. Em carreira solo lançou dois excelentes discos de “Pink Rock†como ele mesmo define. O Primeiro, “Petiscos Sabor: Churrasco†e o segundo e muito bom disco “SuperSexxxySoundsâ€.

Nesta entrevista exclusiva ao PBI, Pinguim fala sobre inicio de carreira, influências, sua visão sobre a cena independente atual e muito mais, confiram!

 

1.       Não tem como eu não perguntar isso, mas vamos lá, primeiramente quero agradecer a entrevista para nosso site, e enfim, de onde tu ganhaste esse apelido? Qual a origem dele?

Oi, tudo certo. Não precisa agradecer nada, imagina. Faz parte do meu trabalho responder, dar entrevista... Tocar é somente uma metade ou menos do lance... Eu que agradeço a oportunidade. Vamos lá, meu apelido “Pinguim†vem de infância mesmo, época de colégio, segunda, terceira série, sei lá. Surgiu não sei como e ficou. Em casa me chamam por vários apelidos, menos pelo meu nome de batismo que, aliás, ninguém usa. Até acho estranho quando tenho que usar meu nome “oficialâ€, não sinto como se fosse eu, de tanto que “Pinguim†ficou. Já “Astronauta†eu inventei quando comecei a tocar, achei que ficaria bom, sei la...

2.       Como é o teu lance com o uso dos Moogs? Quando despertou essa paixão?

Minha relação com sintetizadores MOOG começou logo quando comecei a ouvir musica. Tipo quando ainda era criança já ganhava ou pedia pro meu pai discos de rock. Lembro que os primeiros foram “Revolver†dos Beatles e “The Top†do The Cure. Não sei se foram na mesma época, mas foram estes. Bom, natural que eu andasse, ou pelo menos conversasse sobre musica com uma galera mais velha, já que eu tinha uns 10, 11 anos, sei la. E natural que esta galera ouvisse rock dos anos 70, progressivo. E natural que eu acabasse ouvindo isto também. Daí aqueles sons estranhos dos teclados do Keith Emerson, Rick Wakeman me chamavam atenção, mas eu não sabia exatamente o que eram até ver e prestar atenção na trilha sonora do filme Laranja Mecânica e ir “pesquisar†como ela foi feita. Daí descobri o MOOG - que é um dos primeiros sintetizadores para uso comercial inventados – e daí virou quase uma obsessão ter um MOOG. Acabei conseguindo alguns no decorrer dos anos e até hoje, quase 20 anos depois de ter “descoberto†ele, ainda me surpreendo com a sonoridade e as possibilidades criadas a partir deste instrumento.

3.       Como tem sido morar em São Paulo e estar participando da cena independente, produzindo e tocando?

Mudei para São Paulo de forma muito natural. Já fazia uns dez anos que vinha com certa freqüência para cá. Nos últimos tempos, antes de vir definitivamente pra cá, estava ficando mais por aqui do que no sul, tinha mais demanda para o meu trabalho, tanto como musico quanto – talvez até principalmente – como produtor fonográfico. Surgiu a oportunidade de vir e eu vim, isto já faz quase quatro anos. Tem sido muito legal, acredito que não vou trocar São Paulo por nenhuma outra cidade, para morar. Vou com freqüência ao Rio Grande do Sul, onde nasci e cresci, ainda tenho pais, irmãs e amigos por lá, mas nunca participei da “cena†do rock gaúcho, como chamam... Alias, não acredito que participe de cena nenhuma, participo de um momento legal na musica brasileira que é o rock independente estar tomando algum espaço que pouco tempo atrás não rolava. Produzo discos de rock, independente do “sub-generoâ€. Já produzi discos de glam-rock a punk-pop, de folk a musica eletrônica, não faço distinção. Claro que não vou pegar um trabalho que não goste realmente para fazer, mas este não fazer distinção a que me refiro é o que me deixa a parte desta chamada cena, tanto em SP quanto quando estava no RS.

4.       Existem muitas diferenças com o cenário independente entre São Paulo e o Sul do Brasil?

Pois então, como acabei respondendo parcialmente na pergunta anterior, não tenho esta visão bem clara, sobre o que rola no RS. Nunca tive, nem quando morava por la. Nunca fiz parte, embora conheça todos os personagens, de uma cena no Rio Grande. Existiu sim, no passado, uma diferença que, pelo Rio Grande estar longe de São Paulo – hoje em dia não mais, graças as passagens aéreas promocionais – criou-se um mercado interno de rock no RS. As bandas de São Paulo atingiam todo o Brasil, rolava uma mídia a nível nacional, mas eram muitas, e as bandas no RS rolavam internamente, tocavam somente dentro do estado, e isto cada vez mais fortalecia o mercado interno de rock no RS, o que acabou criando personalidades locais muito fortes no RS e que fora ninguém ou poucos sabem quem são, como TNT, Cascaveletes, Acústicos e valvulados, Comunidade Ninjitsu. Estas bandas tocavam - algumas ainda tocam - para multidões no RS e aqui em SP nunca tocavam e quando vinham, era meia dúzia de gatos pingados no show, por que ninguém conhecia. Então, ao mesmo tempo em que o mercado interno de rock no RS se fortaleceu, ele acabou se auto-sabotando, a partir do momento que as bandas ficavam confortáveis tocando somente no RS e quando tentavam sair, ir tocar em SP ou Rio de Janeiro, ninguém nunca tinha ouvido falar, ao contrario das bandas de SP que buscavam esta projeção nacional. Isto teve reflexos, lógico, que estão ai até hoje em dia, mas graças à internet e a rapidez da troca de informações, isto vem mudando, mas ainda demora um tempo até tirar este mofo criado nesta época. Isto é o que eu acho, pelo menos...

5.       Dentre os vários projetos em que participou alem de tocar com o Júpiter Maçã, teve algum em especial?

Acabei tocando com quase todo mundo no RS. Wander, Julio Reny, o Júpiter mesmo, que toquei entre 2001 e 2005 e agora voltei a tocar. Obvio que meu lance solo, principalmente deste meu segundo disco é o que eu mais gosto de fazer, já que é uma coisa minha, trabalho autoral, mas cito em especial, além do Júpiter Maçã que é uma referencia para mim, não só em termos de som, mas como uma grande amigo que é, dois discos que produzi e com quem toquei uma época no RS, que são o Jimi Joe, um velho amigo meu também, e os Pupilas Dilatadas. Estes dois além, de produzir, também acabei lançando os discos pelo meu selo, Pineapple Music, que inicialmente foi criado somente para lançar meus discos solo. E em São Paulo acabei participando de certa forma em alguns shows da Patife Band, uma das poucas bandas da “vanguarda paulistana†que eu realmente gosto. Ahhhh dirigi um show estes dias, no SESC Pompéia, com a Maria Alcina participando e adorei ela! É uma figuraça, alem de cantar pra caralho, tem uma presença de palco inexplicável!

 6.       Quatro anos após ter lançado “Petiscos: Sabor Churrascoâ€, o que sente sobre seu amadurecimento musical?

O “Petiscos†foi legal de fazer, já tinha ali muitos elementos do que acabei batizando de “pink rockâ€, que é a forma que achei para rotular meu trabalho solo sem ter que usar os velhos subgêneros do rock para defini-lo. Muita gente compara o “Petiscos†com Lafayette, jovem guarda, mas não vejo assim. Vejo como um disco de musica eletrônica, no melhor sentido da palavra, com sonoridades sixties e seventies, justamente por usar equipamentos desta época para gravá-lo. Bom, claro que no decorrer, depois de lançar o “Petiscosâ€, que foi mais um projeto do que um CD propriamente dito, já que foram poucos os shows com aquele repertório, fui compondo algumas coisas minhas. E ai juntei com coisas que já tinha antes e preparei meu segundo disco. Tentando ver de fora, se é que isto é uma coisa possível, meu segundo disco tem muito mais elementos que eu realmente gosto, mais MOOGs, mais efeitos debiloides, influencias de musicas de outras partes do mundo, tem algumas coisas de musica árabe ali... Isto foi, não digo uma amadurecimento, mas pude no Supersexxxysounds fazer um lance mais livre, até por serem minhas as musicas e não composições dos outros. Acho que o maior, senão o único amadurecimento de um disco para o outro é que o “Petiscos†é totalmente instrumental e o “Supersexxxysounds†tem letras em quatro musicas. meu próximo disco será praticamente todos com texto, deve ter duas ou três musicas instrumentais, no maximo...

 7.       O que lhe traz saudades quando do inicio da sua carreira?

Nada. Claro que, naquela época e com aquela idade era legal ter que carregar caixas – as vezes até fabricar equipamentos – monta-los, depois desmonta-los, empilhar os equipamentos no Fiat 147 do baterista e voltar para casa, mesmo que sem um puto de um tostão no bolso, mas completamente bêbado. Mas to velho demais, até para sentir saudades disto... Mas reconheço que, se não fosse este esforço no inicio, hoje não estava aqui respondendo tuas perguntas e sim trabalhando num banco ou num jornal...

8.      Quais foram suas influências para compor  SuperSexxxySounds?

Tenho muitas influencias, ou melhor, influencias de muitas coisas. Claro que se estivermos num bar conversando e alguém me perguntar sobre algumas bandas, se gosto ou não, vou dizer que não, mesmo que seja só para provocar... Mas na verdade gosto de varias coisas, de musica eletrônica, especialmente dos primórdios dela, ao pop que ta passando na mIX TV no momento, claro que com varias restrições. E isto foi o que me influenciou na composição do Supersexxxysounds. por exemplo, quando gravei “Lisa Boyle†primeira musica do disco e primeira musica a ser gravada para o disco, era na época que ““Hey Ya†do Outcats estourou e, realmente, no primeiro minuto que ouvi a musica adorei. Tinha uma parte no meio de “Lisa Boyle†que não tinha definido ainda e, na hora que ouvi o Outkast pensei, isso, esta bateria, vou me basear nesta bateria para a parte do meio. E ta la. Então este foi meio que o processo de composição do Supersexxxy. Acredito – e por isto falo as vezes em algumas entrevistas – que o meu processo de composição das musicas seja mais parecido com o processo de fazer filmes do Tarantino (sem querer ser prepotente) do que com o processo de composição de bandas ou artistas solo. Vou retalhando a musica, achando elementos, até alguns clichês do “rock†para colorir minhas musicas. Não sei se funciona, mas que é divertido de fazer é. Mas para não ficar sem te citar nomes, la vai quem foram minhas influencias no Suersexxxy: Brian Eno, David Bowie (fase Berlin), Kraftwerk (a galera do Krautrock toda, na verdade), Devo, Outkast e Gnarls Barkley, Mandonna, Cindy Lauper, Ennio Morricone e, principalmente Sigue Sigue Sputinik, daí até esteticamente!

9.      Tem encontrado bandas de qualidade por ai e alguma lhe despertou aquele “Putz, que foda esse som!â€?

Pois então, a coisa mais recente que ouvi e achei muito foda foi a Lady Gaga, sabe quem é? Uma menina nova, americana, lançou o primeiro disco agora a pouco. Acho muito tri! Ela me lembra um pouco a Madonna, o pop dos anos 80, sei la, mas bateu de alguma forma. Gosto muito de acompanhar esta galera que surge, do pop americano. Não gosto da maioria das coisas que ouço, mas volta e meia aparece alguém que rola este lance de eu adorar na hora. Já falando em termos de bandas nacionais, tem uma banda chamada Subburbia, de Curitiba que gostei muito também desde a primeira vez que ouvi, num programa da MTV. O mais legal é que acabei entrando em contato e hoje em dia somo muito amigos, eu e o pessoal da banda.

10.    Cara, você é uma das raridades que conheço (alem de mim) que curte o som do Sigue Sigue Sputnik, tem mais algo daquela época que curte bastante?

Nossa, adoro Sigue Sigue Sputnik! Fui num show deles em Porto Alegre em 91, 92... E depois fui em 2005, na segunda vinda deles ao Brasil. Os dois shows estavam, um mais ridículo que o outro, lance de playback... Mas nesta segunda chance que tive de vê-los, falei com o Neal X, guitarrista, que eles foram os super-heróis da minha infância! Claro que tem muitas outras coisas que gosto dos anos 80, meu som mesmo tem muito de anos 80... New Order (acho mais legal que o Joy Division), Cure, Devo, Blondie, B 52’s, Talking Heads, cresci ouvindo isso, não tem como não ter no mínimo, apego afetivo por estas bandas... Gosto muito das produções do Brian Eno, desde sua carreira solo nos 70 até os lances que ele fez com as bandas de new wave nos 80...

11.    Como musico de vasta experiência e produtor, o que dificulta a cena independente no Brasil?

Cara, o que dificulta, ao meu ver, é que ainda rola um lance meio de inveja no meio independente. Um lance meio recalcado. Claro que não é todo mundo, obvio (na verdade é uma minoria que age assim, mas acaba “contaminando†um pouco a cena toda). Rola ainda um lance de “ah a banda do fulano, ou o sicrano se deu bem, sua musica ta tocando não sei onde, deve estar comendo alguém ou pagando para tocarâ€, sabe o que eu quero dizer. Uma galera que não faz por si, mas se vê alguém fazendo mete o pau. Isto é o pior, o que dificulta um pouco tudo, por que o resto se tira de letra. Hoje em dia, com myspace, twitter e afins, é muito mais fácil divulgar e com as passagens aéreas com muitas promoções fica mais fácil viajar, então é só tacar ficha.

12.   Por fim, cite algumas bandas onde o uso do moog é uma referencia e uns toques para o musico que queria utiliza-lo numa banda.

Cara, gosto muito de uns caras do final dos 60, inicio dos 70, que usavam Moog para fazer umas versões debiloides de sucessos da época, tipo Jean Jacques Perrey, Marty Gold, Lúcifer, The Carmets. Tem varios, só procurar na internet e baixar, já que a maioria saiu em LP, mas nunca teve reedição em CD... É raro alguma banda usar MOOG – simulador não vale – mas como qualquer instrumento, a pessoa tem que “estuda-loâ€. Não no sentido didático da coisa, mas no sentido de conhecer as possibilidades sonoras dele.

REPORTER BADAR¾
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